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Capa Eu sou uma lésbicaComprar Livro Eu sou uma lésbica
  • Preço
  • 29.69
  • Nº Páginas
  • 144
  • ISBN
  • 9788588338739
ApresentacaoAutorLivroFragmentos

ficção > Eu sou uma lésbica

Em Eu sou uma lésbica - publicado como folhetim na saudosa Revista Status, entre janeiro e abril de 1980 - o leitor encontrará a crença apaixonada no poder revelador da palavra que caracteriza a literatura de Cassandra.
Cassandra Rios foi best-seller absoluta durante os anos 60 e 70. Nascida em 1932, publicou o seu primeiro livro aos 16 anos. Embora muitos desconfiassem que o verdadeiro autor dos livros fosse um homem, era Odete Rios, paulistana de Perdizes, a autora desta vasta obra erótica. Alguns de seus livros de sucesso: "Tessa, a gata", "Nicoleta Ninfeta" e "A paranóica". Cassandra Rios faleceu de câncer em 2002, a 8 de março, dia internacional da mulher.
"Eu sou uma lésbica" foi publicado como folhetim pela revista Status entre janeiro e abril de 1980. Narrado em primeira pessoa por uma lésbica, conta a descoberta e peripécias da definição de sua identidade sexual durante os anos 60 e 70, com deliciosas referências de época - histórias que sua professora de História não contava.
Naquele tempo, as mulheres aproveitavam o carnaval para usar suas calças compridas, camisas, gravatas, caracterizando-se de homem para melhor serem identificadas pelas outras mulheres, as "passivas". O carnaval nos clubes marcava momentos grandiosos na vida das lésbicas, que se fantasiavam de Zorro, de caubói, usavam máscaras, cortavam os cabelos rente na nuca, riscavam bigodes com lápis de sobrancelhas e até costeletas. Era a liberdade. O diabo soltava-as pelas ruas e elas invadiam os salões. A orquestra atacava os sambas e marchas, as serpentinas riscavam o ar, confetes atapetavam o chão, e as lésbicas confinavam-se no toalete. E para lá iam, atraídas, as que tinham tendências para eclodir durante os três maravilhosos dias festivos. (...) E o fato se deu. Consegui. Em dado momento, o olhar da que já estava escolhida para rainha caiu sobre mim. Meu olhar grudou nela, segurou seu olhar; hipnotizei-a, com a força do meu pensamento, da minha intenção ou do meu charme e jeito especial atuando sobre ela. (...) Tirou um frasco da bolsa que complementava o traje cancan do Folies Bergère. Apertou-o e o perfume esguichou em meu peito. O lança-perfume voltou para dentro da bolsinha - cheia de enfeites coloridos de pedras tremeluzentes - e ela se aproximou com o seu sorriso cheio daquelas estrelinhas de anúncios de pastas de dentes, lindo sorriso, delicioso, olhar perfurante, narinas arfantes, que mais arfaram quando sua cabeça desceu até o meu peito e ela aspirou o tóxico, fundo, bastante, repetindo a dose do lança-perfume que tornou a tirar da bolsinha, gelando os meus seios. Cambaleei com ela agarrada em mim e ouvi a zoada de gozação das minhas amigas, que estavam prestando atenção a tudo e me desafiavam a prosseguir, empurrando-me com ela para o reservado. Fecharam a porta.